High School Maio de 2026 7 min de leitura

High School na Nova Zelândia: como um semestre em Nelson mudou a vida de um estudante de BH

Felipe, 17 anos, deixou BH para um semestre no Nayland College, em Nelson. Rotina, esportes escolares e a experiência real de um High School na Nova Zelândia.

Felipe, estudante brasileiro de 17 anos, durante intercâmbio high school na Nelson College, Nova Zelândia

Felipe tinha 17 anos, morava em Belo Horizonte e queria uma experiência diferente. Não necessariamente o destino mais famoso, não necessariamente uma cidade grande. Queria algo fora da rotina.

A escolha foi a Nova Zelândia. Cidade de Nelson, no norte da Ilha Sul. Um semestre letivo no Nayland College fazendo intercâmbio high school. Ele voltou com uma bandeira da Nova Zelândia coberta de assinaturas dos amigos que fez lá — e com um quadro de todas as cidades que visitou pendurado no quarto.

A chegada e o primeiro perrengue

Felipe pousou em Auckland com conexão marcada para Nelson. Pegou as malas, passou pela alfândega, e em algum momento deixou a mala encostada no saguão e seguiu em frente sem ela. Só percebeu quando uma brasileira do mesmo voo perguntou: "Uai, cadê sua mala?"

Faltavam duas horas para o voo de conexão. Eles pegaram um táxi até o outro terminal, voltaram ao saguão, e a mala estava lá — no mesmo lugar, intocada. Esse detalhe diz muito sobre a Nova Zelândia: um dos países mais seguros do mundo, com uma cultura de honestidade que surpreende.

Felipe só contou para os pais alguns dias depois. No intercâmbio, você resolve primeiro e explica depois.

Uma escola diferente do que ele esperava

No Nayland College, cada aluno escolhe as próprias matérias no início do ano. Como o colégio brasileiro exigia validação de parte do currículo, quatro disciplinas já estavam definidas: álgebra, inglês, geografia e física. Sobraram duas escolhas livres. Felipe escolheu esportes e outdoor education.

Outdoor education era aula mesmo, só que numa sexta-feira típica a turma passava a manhã inteira andando de caiaque ou fazendo trilha, e depois voltava para as aulas normais. Quando Felipe mostra as fotos no Brasil, as pessoas acham que era passeio com amigos. Não era.

Os dias livres numa cidade pequena

Aula terminava às 15h. A partir daí, o dia era livre. Nelson é pequena — à primeira vista parece que não tem muito o que fazer, e foi exatamente isso que atraiu Felipe. O que ele não tinha calculado é que numa cidade pequena, com o grupo certo, o problema não é falta de opção, é escolher uma.

A turma decidia tudo na hora: futebol na praia, hamburgueria nova, jiu-jítsu. Felipe se matriculou numa academia local e convenceu um amigo a entrar junto. A bike era o transporte padrão do grupo.

O amigo feito no primeiro dia

Primeiro dia, Felipe estava assistindo ao Mundial de Clubes. Um outro garoto chegou perto, perguntou o que era, ficou assistindo junto. Os dois não pararam mais de se falar. Esse cara é até hoje um dos mais próximos que Felipe tem.

O grupo foi crescendo a partir daí: brasileiros, alemães, indianos, neozelandeses. Meninos e meninas juntos, sem divisão, um grupão que fazia tudo junto.

Morar com família anfitriã

A família era neozelandesa. Receptiva, mas diferente de qualquer família brasileira. Lá as relações funcionam de outro jeito — mais diretas, sem muito rodeio. Combinados são combinados, horários são horários.

O único atrito real no semestre foi chegar atrasado para o jantar depois de combinar programa com os amigos e esquecer de avisar. A família ficava preocupada. Ele passou a comunicar com antecedência, o problema sumiu. No final, tentavam incluí-lo como membro da família. E funcionou.

O acampamento na neve

Uma das atividades de outdoor education era um acampamento na neve. Sem celular, regra do programa. Cada um montou a própria barraca, cozinhou a própria comida. Frio forte.

No meio da noite, Felipe acordou sem saber que horas eram. Saiu da barraca, deitou no chão e ficou um tempo olhando o céu. Sem luz da cidade, as estrelas aparecem de um jeito diferente. É o tipo de momento que não cabe bem em foto — mas que fica.

O que o intercâmbio high school desenvolve

A experiência do Felipe ilustra o que pesquisas sobre educação internacional apontam:

  • Fluência real no idioma — imersão total, sem o português como muleta
  • Autonomia e resolução de problemas — cada obstáculo vira aprendizado
  • Soft skills — adaptabilidade, comunicação intercultural, autoconfiança
  • Visão de mundo ampliada — conviver com pessoas de culturas diferentes muda a forma de ver as coisas

Por que a Nova Zelândia surpreende

Menos óbvia que EUA ou Canadá, a Nova Zelândia combina segurança, qualidade de vida elevada e uma diversidade cultural que poucos esperam encontrar. Felipe descreve os dias lá como "mais brilhantes" — sol o dia inteiro, mesmo no frio. E uma população que, no geral, vive sem pressa e trata bem o de fora.

Quando começar a planejar

O ideal é iniciar o processo com pelo menos 1 ano de antecedência. Antecipar a matrícula garante a vaga e costuma trazer condições melhores de pagamento.

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